domingo, 9 de fevereiro de 2014

Elysium... uma projeção de um futuro inevitável?!

* SPOILERS - É provável que a trama do filme seja exposta no decorrer do texto.

Elysium é um filme do diretor Neil Blomkamp, estrelado por Matt Damon e conta com a presença de dois brasileiros no elenco: Wagner Moura e Alice Braga.
O filme se passa no ano de 2154, onde os seres humanos vivem uma triste realidade, seu planeta encontra-se em condições insatisfatórias para habitação, logo a situação requereu uma atitude surreal, a criação de uma estação espacial que simulasse boas condições de vida para os seus habitantes e, é claro, da mesma forma como é evidenciado atualmente nas grandes cidades do mundo, este local mais adequado, confortável e seguro era destinado exclusivamente para aqueles que possuíssem condições financeiras condizentes com a demanda, ou seja, os ricos!
Nesse contexto histórico está inserido Max (Matt Damon), um operário e ex-presidiário, que trabalha na confecção das máquinas que são utilizadas como robôs-policiais para policiar o planeta Terra, que é apenas um enorme aglomerado de favelas onde até mesmo o ar respirado é nocivo à saúde. Max sofre um acidente de trabalho, é exposto à radiação extrema e recebe a sentença: possui apenas 5 dias de vida. (Qualquer semelhança com histórias e condições vividas atualmente por operários e trabalhadores no mundo todo, acredito que não seja mera coincidência). Então Max se alia a alguns amigos do tempo em que era um criminoso e projetam um plano de invadir Elysium (o anexo da Terra), onde o sistema de saúde é muitíssimo eficiente, mas é claro, destinado somente para os moradores de Elysium.
Embora o filme não adentre explicitamente na questão da origem da discrepância entre as condições de vida das pessoas no mundo do século XXII, é inevitável que alguém que assista ao filme não perceba a crítica social que o longa-metragem aborda. É óbvio que as condições ambientais insalubres do futuro (provável) foram propiciadas pela forma como o capitalismo hoje funciona em relação ao nível de produção e consumo excessivo, sem levar em conta a capacidade de resistência dos ambientes naturais à extração cada vez maior e veloz de recursos.
Além do que, a dicotomia apresenta na película (Terra x Elysium) é nada mais nada menos do que a mesma apresenta hoje nas principais cidades do mundo, inclusive no Brasil (centro x periferia). Onde temos áreas destinadas exclusivamente à presença de pessoas com alto poder aquisitivo, e que é quase proibido o acesso a estes locais por pessoas alheias, a exemplo dos casos que hora ou outra ocorrem nos shoppings, aeroportos e em outros locais que alguns convencionam apenas à presença de certos tipos de pessoas e expressam reações preconceituosas e discriminatórias caso esse espaço sagrado seja violado.
Enfim, o objetivo é convidá-los a assistirem ao filme e problematizarem a respeito da forma como utilizamos o espaço e como produzimos sobre ele, pois é provável que tenhamos um futuro semelhante ao apresentado em Elysium, onde nossa ganância e ambição maldosa nos impediram de conviver harmoniosamente em nosso planeta, a ponto de destruí-lo e torná-lo impróprio. O que já fizemos em diversas cidades hoje, não é mesmo? Só resta saber o que faremos a respeito... Eu tenho minhas sugestões para tornar minha cidade mais “habitável”, e você o que tem pensado a respeito?

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