terça-feira, 21 de maio de 2013

Lógica imposta!?

Todas as igrejas¹ são de Deus.
Todos nas igrejas são irmãos.
Então Deus teve filho com mais de uma mulher.

Deus criou os homens.
Os homens constroem as igrejas.
A igreja é a casa de Deus.
Logo, os homens dão a Deus algo que sequer lhes pertence.

Jesus é o filho de Deus.
Na igreja todos são seguidores de Jesus.
Então, deturpam as ideias de Jesus.

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¹ referindo-se às igrejas cristãs brasileiras.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O Divórcio, mais um caso de evolução no Brasil?!

Bom, tudo começou ontem, quando estava lendo o livro Eu não sou cachorro, não (Paulo Cesar de Araújo), um livro que fala dos cantores e compositores "cafonas"¹ brasileiros, no contexto da ditadura militar: precisamente entre 1968 e 1978, suas desventuras e histórias vivenciados por vários deles. Entre estes, um dos que considero ser um dos mais importantes: Odair José. Compositor de vários sucessos como Eu vou tirar você desse Lugar, Cadê você Uma vida só (Pare de tomar a pílula).
Daí em um dos capítulos fala-se da interessante batalha político-ideológica travada na década de 1970 no Brasil, para a permissão da dissolução do casamento, o divórcio legal. Encabeçada principalmente pelo senador Nelson Carneiro, naquela época, "com o argumento de que o seu projeto era apenas um remédio destinado a tratar a doença da infelicidade conjugal. Os felizes, os saudáveis, dizia ele, não necessitariam deste remédio". Apoiado por grandes nomes da música "cafona" brasileira, ou como eu prefiro chamar: música brega brasileira. Como Claudia Barroso em Ninguém pertence a ninguém: "Divórcio é um simples remédio / que cura incompreensão / para quem não sofre de tédio / o divórcio é apenas inovação..."². Mesmo porque nem todo casamento é uma união motivado divinamente.
Bom, o interessante que eu achei é que um assunto tão óbvio hoje em dia (o divórcio) anos atrás não era tão aceito na sociedade brasileira, ou não tinha amplamente apoio assumido. E adivinhem quem era o principal contrário à ideia do casamento? A igreja! Isso, como uma vez dito pelo frei Damião Bozzano: "o casamento só é quebrado por morte do esposo ou da esposa. Quem deixa o casamento para casar com outro no civil entra no inferno de cabeça para baixo"³. E o, para mim, incomparável Odair José fez uma música chamada O casamento onde ele expõe a ideia de que Maria e José, não eram casados quando Jesus foi concebido, ou seja, na minha visão: Deus escolheu um casal que não era casado legalmente para serem os pais do primogênito de Deus. Vários outros pontos são enunciados no livro, mas esse chamou muito minha atenção, sustentando ainda mais a minha ideia de que hoje a igreja é uma instituição que deturpa as ideias outrora divinas, visando a satisfação política e econômica da época em questão, e às vezes baseada em argumentos arbitrários.
Então hoje, à luz de algumas discussões também polêmicas, e com preceitos veementes defendidos pela igreja, vemos que ideias são facilmente transcendidas como assim a temática do divórcio que em 20 de Junho de 1977 foi finalmente oficializada no Brasil, é só uma questão de tempo. E será que assim também não foi com os direitos femininos? E com os preconceitos raciais? E a homofobia?

Bom, agora eu vou deixar aqui uma música do Odair José que eu gosto e que tem a ver com essa temática:





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¹ No livro o autor usa sempre cafona entre aspas, por não ser uma nomenclatura usada por todos os artistas citados no livro, e por se tratar de algo pejorativo às vezes.
² ARAÚJO, Paulo Cesar de. Eu não sou cachorro, não. Rio de Janeiro: Record, 2010. 7ª ed. pág. 164
³ ARAÚJO, Paulo Cesar de. Eu não sou cachorro, não. Rio de Janeiro: Record, 2010. 7ª ed. pág. 165